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O aumento nos casos de febre amarela silvestre, especialmente no Estado de Minas Gerais, fizeram com que muitas famílias com bebês e crianças ficassem alertas e buscassem informações sobre vacinas. Mas, nessas situações, quando os pequenos devem ser vacinados? Como protegê-los?

Para a pediatra e infectologista Dra. Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, o primeiro passo é manter a calma e entender em quais regiões o risco realmente existe e se ele é alto. “As secretarias de saúde dos municípios, onde os casos foram confirmados, vêm fazendo campanhas, chamando a população para tomar a vacina, indo até as residências. É fácil saber se a cidade está em alerta. Se não existe nenhuma movimentação ou ação, não é porque a cidade está escondendo os casos, é porque não está acontecendo mesmo e não tem motivo para maiores preocupações”, explica.

Febre amarela: o que causa

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Além de dor no corpo e febre alta, o vírus da febre amarela afeta o fígado, podendo causar hepatite fulminante e icterícia, e ataca as células responsáveis pela coagulação, podendo provocar hemorragias.

Nos bebês, como eles ainda não têm o sistema imunológico completamente formado, assim como a maioria das doenças, a febre amarela pode ser mais grave.

Embora com o diagnóstico precoce e tratamento a maior parte dos casos evolua bem, a vacina é essencial para evitar que o vírus não seja capaz de causar a doença e possíveis complicações.

Vacina de febre amarela para bebês: como funciona

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra a febre amarela em regiões endêmicas – ou chamadas de “regiões com indicação de vacina”. Exceto por alguns Estados da região litorânea, todos os outros têm indicação.

Mapa com indicação de vacina para febre amarela

Vacina: quando aplicar?

“Nas áreas onde a vacinação é recomendada, a criança deve receber a primeira dose da vacina contra a febre amarela aos 9 meses e a segunda aos 4 anos de idade. Essa é a rotina”, orienta a médica.

Vacina contra febre amarela aos 6 meses

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No entanto, em áreas onde o risco de contrair a doença é alto, a infectologista explica que a imunização pode ser adiantada em até três meses, sendo aplicada pela primeira vez aos seis meses de vida. “Mas tem que existir uma situação que realmente justifique esse adiantamento. E não estamos vivendo esse momento na grande maioria da País” explica Dra. Isabella na intenção de tranquilizar pais, mães e cuidadores.

Criança que nunca tomou a vacina

Já aqueles bebês que já passaram dos nove meses ou as crianças mais velhas que nunca tomaram a vacina e moram em regiões de indicação, vão se mudar para uma ou viajar, devem receber duas doses com intervalo mínimo de um mês entre elas.

Adolescentes e adultos

Para adolescentes e adultos que nunca tomaram, a rotina é de duas doses com intervalo de 10 anos. “Não fazemos mais de 10 em 10 anos como era antes. O Brasil agora adotou duas doses para toda a vida”, conta a profissional. Por isso, as crianças que foram imunizadas completamente ainda na infância não precisam mais tomar as vacinas.

Lactantes

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Já as mulheres que estão amamentando, no geral, não têm indicação para a vacina. “Não podemos vacinar as lactantes porque o vírus atenuado passa para o bebê pelo leite”, explica a infectologista. A exceção existe quando o risco para a mulher for altíssimo. “Nesse caso, aplicamos e interrompemos a amamentação por pelo menos 28 dias”, completa. O mesmo acontece com a vacina para gestantes.

Efeitos colaterais

Segundo a médica, a vacina costuma ser bem aceita pelo organismo e causa pouquíssimos efeitos adversos. “É uma aplicação subcutânea e geralmente nem dói. Mas, como ela é composta pelo vírus atenuado, pode causar sintomas em até cinco ou dez dias depois da aplicação, mas isso é muito raro”, comenta.

Onde encontrar

As vacinas são disponibilizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) gratuitamente em postos de saúde.

Febre amarela no Brasil: é motivo para se preocupar?

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Hoje, os casos de febre amarela no Brasil são de febre amarela silvestre. Ou seja, aquela que é transmitida pelo mosquito do macaco para o ser humano, que geralmente vive em áreas rurais e de mata. O controle desse tipo de contaminação é essencial para evitar o ressurgimento da febre amarela urbana, que é aquela transmitida pela Aedes aegypti de humano para humano.

“É importante entender que o que está acontecendo não é motivo para pânico para todas as regiões do País. Por isso, não é preciso correr para tomar a vacina. Os casos estão sendo investigados e, se tiver algum indício de que alguma coisa está acontecendo, com certeza a recomendação vai mudar. Hoje não está acontecendo nada e se muita gente sem necessidade buscar pela vacina, ela pode faltar e deixar aqueles que realmente precisam sem”, alerta Dra. Isabella.

Prevenção

Tão importante quanto a vacinação na época adequada é a prevenção do maior responsável pela doença: o mosquito transmissor. Por isso, além de evitar seus criadouros – lugares que possam acumular água – vale a pena colocar telas e mosquiteiros nas casas e, em área de alto risco, usar repelentes e roupas compridas.

Doenças transmitidas pelas Aedes aegypt

(Vimos em vix.com)